Publicidade

verso de machado de assis

Pede estrelas ao céu, ao campo flores;
Flores e estrelas ao gentil regaço
Virão da terra ou cairão do espaço,
Por te cobrir de aromas e esplendores.

Versos ... pede-os ao vate peregrino
Que ao céu tomando inspirações das suas,
A tua mocidade e as graças tuas
Souber nas notas modular de um hino.

Mas que flores, que versos ou que estrelas
Pedir-me vens? A musa que me inspira
Mal poderia celebrar na lira
Dotes tão puros e feições tão belas.

Pois que me abris, no entanto, a porta franca
Deste livro gentil, casto e risonho
Uma só flor, uma só flor lhe ponho
E seja o nome angélico de Branca.
LER TODO O ARTIGO...

A PALMEIRA

**A PALMEIRA**

COMO É LINDA e verdejante
Esta palmeira gigante
Que se eleva sobre o monte!
Como seus galhos frondosos
S’elevam tão majestosos
Quase a tocar no horizonte!

Também amei com loucura
Ó palmeira, eu te saúdo,
Ó tronco valente e mudo,
Aqui te venho ofertar
Triste canto, que soltar
Vai meu triste coração.
Sim, bem triste, que pendida
Tenho a fronte amortecida,
Do pesar acabrunhada!
Sofro os rigores da sorte,
Das desgraças a mais forte
Nesta vida amargurada!

Como tu amas a terra
Que tua raiz encerra,
Com profunda discrição;
Também amei da donzela
Sua imagem meiga e bela,
Que alentava o coração.

Como ao brilho purpurino
Do crepúsc’lo matutino
Da manhã o doce albor;
Ess’alma toda ternura
Dei-lhe todo o meu amor!

Amei!... mas negra traição
Perverteu o coração
Dessa imagem da candura!
Sofri então dor cruel,
Sorvi da desgraça o fel,
Sorvi tragos d’amargura!

Adeus, palmeira! ao cantor
Guarda o segredo de amor;
Sim, cala os segredos meus!
Não reveles o meu canto
Esconde em ti o meu pranto
Adeus, ó palmeira!... adeus
!
**machado de assis**
LER TODO O ARTIGO...

camoes soneto 98

Sentindo-se tomada a bela esposa De Céfalo no crime consentido, Para os montes fugia do marido E não sei se de astuta ou vergonhosa.
Porque ele, enfim, sofrendo a dor ciosa, De amor cego e forçoso compelido, Após ela se vai como perdido, Já perdoando a culpa criminosa.
Deita-se aos pés da Ninfa endurecida Que do cioso engano está agravada; Já lhe pede perdão, já pede a vida.
Oh, força de afeição, desatinada, Que da culpa contra ele cometida, Perdão pedia à parte que é culpada!

luiz de camões
LER TODO O ARTIGO...

Alma minha ¨** camoes**

Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algu~a cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


Luís de Camões
LER TODO O ARTIGO...

soneto luiz de camoes

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus versos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Para que seus enganos não dissesse.
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,
Verdades puras são, e não defeitos...
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos!
LER TODO O ARTIGO...

amor é fogo que arde sem se ver camoes

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luis de Camões
LER TODO O ARTIGO...

**O amor desmetaforizado**

Não tem olhos solares meu amor;

Mais rubro que seus lábios é o coral;

Se neve é branca, é escura a sua cor;

E a cabeleira ao arame é igual.
Vermelha e branca é a rosa adamascadaMas tal rosa sua face não iguala;

E há fragrância bem mais delicadaDo que a do ar que minha amante exala.
Muito gosto de ouvi-la, mesmo quandoNa música há melhor diapasão;

Nunca vi uma deusa deslisandoMas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caroQue qualquer outra à qual eu a comparo.
(willian Shakespeare)
LER TODO O ARTIGO...
 
©2007 Elke di Barros Por Templates e Acessorios